Nossa Igrejinha!! Igreja Santa Cruz dos Militares
segunda-feira, 4 de março de 2013 00:12
Postado por Marcelo
O objetivo maior do blog, além de
partilharmos nossas buscas e conquistas, é ter um registro de todas as
informações que utilizamos para fazer o evento.
Como a nossa igrejinha não tem muita
informação direta na internet, resolvi elencar alguns pontos que acho marcantes
na escolha. Já falei aqui e reforço que na busca pela melhor igreja, sempre
quis uma que nos tocasse realmente.
Outro ponto é que queria uma igreja com
uma importância histórica na cidade, mas que não fosse muito grande e ocupasse
adequadamente nossos convidados. Não queríamos igrejas modernas e nem muito
novas, por isso a área do Centro, em particular a Rua Primeiro de Março, sempre
foi a minha preferida. Estamos falando de uma igreja de mais de 383 anos de idade.
Espero mostrá-la para as pessoas que não a conhecem e assim ter mais informações disponíveis juntas, pois a maioria do material que li eram muito espaçados.
Vamos a algumas características e histórias da nossa igrejinha
que só confirmam o conceito dela ser única!!
Antes um Forte
Antes da Igreja existia ali um forte,
denominado Forte Santa Cruz. Para termos uma ideia de como o mar quebrava
naquela altura nessa época.
Em 1623 o forte já estava em péssimo
estado e foi construído em suas ruínas uma Igreja para os militares. E em 1629
a Santa Vera Cruz foi inaugurada. As festas as São Pedro Gonçalves eram
realizadas pelos comerciantes e navegantes das imediações e com isso custeado a
manutenção da entidade.
A posição da torre aproveitou o posicionamento de uma rocha para a fundação, já que ali o terreno era muito arenoso, e com o passar do tempo esse torre se tornou referência aos navegadores. Os navios ao entrarem na baía de Guanabara sabiam que ali era localizado o mercado de peixes da cidade.
A posição da torre aproveitou o posicionamento de uma rocha para a fundação, já que ali o terreno era muito arenoso, e com o passar do tempo esse torre se tornou referência aos navegadores. Os navios ao entrarem na baía de Guanabara sabiam que ali era localizado o mercado de peixes da cidade.
Praça Quinze em 1790, onde é possível ver as suas torres no lado direito
Praça Quinze em 1840, onde é possível ver as suas torres já prontas no lado direito
Catedral da Cidade
Tendo em vista as precárias condições
da Igreja de São Sebastião (no alto do Morro do Castelo, que foi demolido), o
Bispo da cidade colocou a Santa Vera Cruz a categoria de Sé e Catedral. Nos
períodos de 1703 a 1704 e de 1734 a 1737 e os ofícios religiosos foram realizados
ali.

Antigos Registros
Piratas no Rio
O
corsário francês Duclerc, em 1710, tentou invadir a fortaleza e foi contido,
rumou para Ilha Grande e depois conseguiu a entrada na cidade mas foi morto.
Duguay-Trouin, no ano seguinte, conseguiu saqueá-la sem encontrar muitas resistências.

Reforma e Nomeação
Em 1780 foi dado início a sua
reconstrução em um conjunto de irmandade, festeiros de Pedro Gonçalves e
militares. Essa obra demorou 31 anos para o término em 1811. Na inauguração foi
nomeada como Santa Cruz dos Militares e contou com a presença de D. João, seu
protetor titulado.
A
fachada da edificação foi a primeira construída em estilo neoclássico no
brasil, para não perder o equilibro a sua torre sineira foi colocada na parte
posterior do prédio, a moda de braga como é conhecida essa prática. Sendo a
única igreja com essa característica na capital fluminense.
Mestre Valentim
O altar mor e os laterais foram
talhados pelo Mestre Valentim, um dos mais importantes artistas brasileiros do
período colonial. Das suas obras, o Passeio Público foi uma das mais importantes
e ele teve participações no Mosteiro de São Bento e na Igreja da Ordem Terceira
do Carmo.
Eu que sempre adorei história,
adorava um livro do meu pai sobre o Chafariz do Mestre Valentim (que fica na
Praça Quinze e que todo mundo estudou em algum período da vida). Ao saber que a
igreja tinha a participação dele, foi como lembrar de alguns momentos de minha
infância.
Igreja Imperial

Foram provedores o Duque
de Caxias, em 1870, e o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel e Ministro da
Guerra de Pedro II. Dez bandeiras tomadas ao inimigo na batalha de Avaí, em
1868, foram entregues à Irmandade para serem depositadas na igreja, a
pedido dos soldados.
Inspirações
A fachada adotou um projeto
parecido coma Igreja de Gesù (Igreja de Jesus) em Roma e que se inspira na
arquitetura da antiguidade.
Igreja de Gesú em Roma
Altar de Igreja
São três os altares do templo. No da Capela-mor está
colocada a Cruz sobre o Monte do Calvário, tendo ao pé a imagem de N. S. da
Piedade; mais abaixo estão a do Sagrado Coração de Jesus e a do Senhor
Desagravado, que constitui uma das grandes devoções da Irmandade. O altar do
lado direito é de N. S. das Dores, e o que fica à esquerda apresenta a imagem
de S. Pedro Gonçalves.
Museu da Igreja
A igreja possui um museu para preservar os
materiais ao longo da sua história, artigos
de ouro talhados pelo mestre Valentin e inclusive a cadeira utilizada por Duque
de Caxias em seu gabinete quando foi nomeado provedor, desenhos de Debret e as
primeiras gravuras feitas da cidade. Essa área por ser muito preciosa, além de
vários documentos do período colonial, a parte superior do lado direito não
pode ser utilizada.
Ligada ao Vaticano
No alto de sua porta se pode ler "Aggregada a Basilica Vaticana".
Órgão Berner
Um dos poucos órgãos Berner da cidade inaugurado em 1934 e restaurado em 2007. Ficamos sabendo que é um tesouro da igreja e nem todas as pessoas podem operá-lo. Muito bonito mesmo e dá para ver de longe nas fotos.
O órgão é equipado com 2 manuais de 56 teclas cada um, uma pedaleira de 30 teclas, 18 filas de tubos, 22 registros e 1.100 tubos, conferindo um som maravilhoso que se difunde por toda a Igreja. Só existem dois outros órgãos desses no Brasil.
Na hora em que fomos escolher as músicas a Sra. Sonia Katz nos falou com muito orgulho do instrumento. Anteriormente até ocorreram alguns concertos na igreja pela presença dele. Eu em toda a minha ignorância musical só fiquei lembrando da cena do filme Os Goonies do Spilberg.
O órgão é equipado com 2 manuais de 56 teclas cada um, uma pedaleira de 30 teclas, 18 filas de tubos, 22 registros e 1.100 tubos, conferindo um som maravilhoso que se difunde por toda a Igreja. Só existem dois outros órgãos desses no Brasil.
Na hora em que fomos escolher as músicas a Sra. Sonia Katz nos falou com muito orgulho do instrumento. Anteriormente até ocorreram alguns concertos na igreja pela presença dele. Eu em toda a minha ignorância musical só fiquei lembrando da cena do filme Os Goonies do Spilberg.
Instituiu-se em 1845, a
devoção do Senhor Desagravado, que teve origem em um fato ocorrido na igreja
durante uns reparos de pintura que ali se executava.
Foi em 29 de julho, pela
manhã. O operário português Augusto Frederico Corrêa, em dado momento, vendo
sobre o altar do Consistório a imagem do Cristo morto, desacatou-a, dirigindo-lhe
pesados impropérios. Advertido pelos companheiros de trabalho, respondeu-lhes
que não temia a Deus e que “aquilo” era apenas um pedaço de madeira sem maior
significação. Só acreditaria na existência do Cristo se ele o matasse às 3
horas (hoje 15 horas) daquele dia.
O trabalho continuou, e
ninguém mais pensou no ocorrido. Quando o relógio anunciava justamente 3 horas,
ouviu-se no templo um lancinante grito, e o operário caiu pesadamente no chão,
em frente ao altar de N. S. das Dores, contorcendo-se em horríveis convulsões.
Conduzido em rede para a
residência, à Rua do Senado nº 48, ali esteve durante três dias completamente
desacordado; no dia 1 de agosto, porém, foi o operário encontrado completamente
curado, abraçado a uma imagem da Virgem das Dores.
O acontecimento foi divulgado
por toda a cidade, e o Bispo D. Manoel do Monte Rodrigues de Araújo, juntamente
com outras autoridades eclesiásticas, dirigiram-se no dia 12 do mesmo mês ao
local do delito, e ali entoaram preces em desagravo pela ofensa à imagem do
Cristo, e Augusto Frederico Corrêa, de joelhos, pediu perdão pelo desacato,
proferindo palavras de fé e arrependimento.
Desde esse dia, comemora-se
anualmente na Igreja da Cruz dos Militares a cerimônia do Desagravo, que
consiste em uma procissão interna, sendo a imagem conduzi da pelos irmãos,
enquanto o capelão, durante o trajeto, reza em voz alta preces de louvor ao
Altíssimo.
Piso Impressionante
Não tem nada a ver com o casamento, mas uma das coisas que nos deixou impressionados e como acontece em muitas igrejas é o piso. Na Santa Cruz dos Militares é impressionante a variedade do trabalho. Já vi inclusive alguns fotos de casamento ressaltando isso.
Você pode até pensar "Ah, esse cara é louco para falar do piso", mas gostamos muito mesmo desse detalhe.
Partes retiradas do Site Rememorarte
As fotos dos pisos foram tiradas do
blog A Vida numa Goa
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Cerimônia Religiosa,
Igreja
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4 de março de 2013 às 08:04
Caramba quanta história e quanto significado em uma igreja!
Aliás ela é linda, parabéns!
bjs
fernandamouta.blogspot.com
24 de maio de 2013 às 18:15
Também escolhi essa igreja!!! Primeiro por causa do nome (o noivo é militar e não queria casar em igreja... Achei uma com militar no nome e o problema foi resolvido!). Além dela ser LINDA mesmo (não curto aquelas igrejas com muita informação). Agora sabendo um pouco mais da história dela, fiquei mais animada :).
24 de maio de 2013 às 19:39
Ana Luiza, ela é muito linda mesmo! Acho que fizemos uma ótima escolha!
Sou suspeita, mas amooo a nossa igrejinha!
Que bom que o noivo topou casar lá! :)